sábado, 5 de junho de 2010

Se continuar assim...




Mais uma vitória? Pera, deixa eu confirmar...

É, confere. Mais uma vitória do povo. O presidente Lula aprovou, sem alterações, o Projeto Ficha Limpa. Tá nas mãos do Judiciário agora e daí pra virar lei é um pulo. Sabe, ando achando muito esquisita essa onda de boas notícias. Não é normal. E, pior ainda, vai acabar me deixando sem assunto. Logo vou ter que mudar o nome disso daqui. Blog do Otimismo? Blog da Vitória? Blog do céu cor-de-rosa cheio de nuvens de algodão-doce e pequenos pôneis brincando com ursinhos carinhosos?

Mas nem fudendo.

É, tá bom, tudo muito legal por enquanto. Mas eu conheço a natureza humana. Logo logo alguém, em algum lugar, fará com que eu me sinta envergonhado de ter os mesmos cromossomos que ele. É inevitável. O Blog da Reclamação jamais terminará, pois as queixas são eternas. A insatisfação é humana, a sacanagem é divina.

Aguardem.

Notícia enviada pelos reclamenautas Fátima Germana e Mauro Galhofeiro Rossiter. Valeu!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Loucos por vitórias! II

E se você duvida da vitória popular e quer provas irrefutáveis, abaixo segue o vídeo no qual o Prefeito do Recife João da Costa rasga seda, faz propaganda de si próprio e fala mais que a nêga do leite. No meio disso tudo, claro, anuncia oficialmente que a Tamarineira não pertence mais a Santa Casa, jamais se tornará um Shopping Center e que as unidades de saúde deverão conviver lado a lado com o parque em si, aberto a toda a população.








João da Costa, você parece o Chapolim Colorado.

Mas se garante.

Vídeo surrupiado diretamente do sempre relevante Blog do Jornalista Jamildo Melo.

Loucos por vitórias!




Semana de vitórias no Blog da Reclamação! E a de hoje é a excelente e, confesso, inesperada notícia de que o Prefeito do Recife, João da Costa, desapropriou o terreno do Hospital da Tamarineira, garantindo assim sua preservação. A Santa Casa, que detinha os direitos sobre o local através de um documento que ninguém jamais viu, foi obrigada a recuar.
Tudo muito bom. Mas agora a luta é outra. Por que não transformar a Tamarineira em um parque, abrindo sua visitação à toda a população de uma cidade tão carente de parques e áreas verdes como a nossa? As árvores e edificações centenárias já estão lá, seria uma questão apenas de criar alguns equipamentos de lazer mais específicos e proporcionar acessibilidade e segurança a todos os freqüentadores. A área verde, que é o mais importante, viria de mão beijada. Recife precisa de mais um parque? Não. Precisa de muito mais do que apenas um. Qualquer pessoa que volte de um passeio por uma cidade com um projeto urbanístico civilizado sabe a falta que fazem as áreas verdes dentro de uma metrópole. Nem precisa ir para Munique ou Paris. Exemplos como a tupiniquim Curitiba mostram que uma cidade verde é uma necessidade, não um charme a mais. E podemos conseguir. Depende de nós lutarmos por um Recife cada vez mais preservado.
Cada vez mais verde.
Agradecimentos ao amigo Alberto Penaforte por me passar a notícia dessa grande vitória da reclamação popular!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Vencemos!







 
Pessoal, é com muita satisfação, felicidade e orgulho que venho, através deste post, comunicar que meu conto venceu a promoção do site Assomblog! O jornalista Roberto Beltrão, através de e-mail, me comunicou hoje que o conto que eu enviei e publiquei primeiro aqui no Blog da Reclamação, foi o ganhador. Nem sei como agradecer direito a todos os que sempre me apoiaram nas minhas experimentações literárias, mas eu preciso destacar a fidelidade de alguns leitores que sempre estiveram presentes aqui no Blog da Reclamação, lendo, comentando, interagindo e, claro, reclamando.
Por isso, agradecimentos especiais a Alberto Penaforte, Chico Fagundes, Mauro Galhofeiro Rossiter, Lorena Bezerra, Henna Roberta, Lúcia Fischer, Fátima Germana e meu irmão e eterno apoiador, Saulo Toscano. É por causa do apoio de vocês e muitos outros visitantes anônimos que me empenho em escrever mais e melhor, todos os dias!
Mas não pensem que vou ficar só naquela história. Vem muito mais terror por aí, podem ter certeza. Claro, sem jamais deixar de lado as minhas queridas reclamações!
Um abraço a todos e mais uma vez obrigado!






Se trabalho fosse bom... II


Sim, trabalhar é uma droga e alguns empregos são piores do que outros. Isso já ficou bem determinado. E sendo este o caso, o cidadão tem mais é que abrir o bocão e reclamar mesmo. Só que tem gente que faz isso de barriga cheia. Tipo, cheia mesmo, abarrotada. Tudo bem, não existe trabalho perfeito, sempre tem uma coisinha nele que vai te incomodar.
Mas tudo tem limite.












Para o profissional retratado acima, fica a dica: a Turma do Fom-Fom está recrutando para o próximo semestre.
Vai lá. Desgraçado.



Reclamação sugerida pela amiga e leitora das mais fiéis, Fátima Germana! Valeu!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Se trabalho fosse bom...




Se você trabalha, então é um reclamador. Ponto. O trabalho, todos sabemos, é um mal necessário e próprio da condição humana. É um terreno fértil de reclamações das mais diversas, em graus mais ou menos justificados. O problema, muitas vezes, tem a ver com elementos periféricos, porém inescapáveis do trabalho. Colegas, chefes, subordinados e por aí vai. Outras vezes, a natureza do emprego em si já é motivo mais do que suficiente para queixas.
Tomemos o exemplo do gari. Poucas profissões são mais ingratas do que essa. Passa-se o dia, muitas vezes as madrugadas, recolhendo o lixo alheio. Ou seja, todas as porcarias que você acha inadequadas para o consumo humano ou que já não possuem mais qualquer tipo de utilidade discernível são o objeto de atenção do gari. Condições insalubres, convivência com pragas como ratos, baratas e testemunhas de Jeová, além de horários completamente insanos são comuns a esse trabalho. Carregando latas e mais latas de lixo e correndo atrás do caminhão de recolhimento enquanto toma cuidado para não cair no triturador, o gari é uma espécie de super atleta da limpeza pública. E no meio dessa dureza toda, os caras ainda escutam gracinhas como “lá vai o cenourinha” ou “eita, o cachorro mordeu o saco do tomatinho”, fazendo referência à cor do uniforme desse trabalhador, que costuma variar de acordo com o local onde se exerce a função.
Um caso mais regional e peculiar de profissão amaldiçoada é, sem dúvida, a exercida pelos integrantes da Turma do Fom-Fom. Para quem não mora no Recife ou simplesmente não sai de casa, a Turma do Fom-Fom é uma iniciativa da prefeitura de educar motoristas e pedestres, aumentando assim o respeito pelas leis de trânsito. Isso geralmente é feito através de intervenções lúdicas e alegres pelas principais ruas e avenidas do Recife, com a participação de personagens coloridos e atraentes.
O que, na verdade, é só uma forma diferente de dizer que os coitados passam o dia vestidos de palhaço enquanto são escrotizados pelos transeuntes, incessantemente.
Fazer parte da turma do Fom-Fom é muito, muito ruim e não há dinheiro que compense o ridículo diário que essas pessoas precisam passar. Mas dentro da galeria de personagens do grupo, um tipo específico se destaca como sendo o menos desejado para o ator que o interpreta. Não, não é o Bruxo Barroada, mas sim a figura da própria Morte. Para interpretar a indesejável, o sujeito precisa colocar uma máscara de borracha de caveira, do tipo que bloqueia todos os poros, matando a pessoa aos poucos por sufocamento. Além disso, é preciso se vestir de preto da cabeça aos pés e ficar pulando para cima e para baixo nos sinais de trânsito, em horários de grande movimento, como ao meio-dia, por exemplo. No calor do Recife. Não é incomum, ao se caminhar pela cidade, encontrar personificações da morte jogadas pela sarjeta, afogadas no próprio suor acumulado nas máscaras de látex. Os casos de insolação são comuns, daí o motivo de se ver tantas Mortes por aí, balbuciando frases incoerentes enquanto seus corpos se contorcem de agonia devido ao calor extremo. Se em perfeitas condições de saúde esse pessoal já é desrespeitado, quando estão vestidos de caveira e gaguejando disparates eles se tornam alvos preferenciais dos motoristas, que agora já sobem com seus carros nas calçadas, tudo para se certificarem de que abateram o espectro medonho.
Por isso, pensem duas vezes antes de reclamarem do trabalho de vocês.
Sempre, sempre pode ser pior.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Não dormirás




Sábado, 08:00 horas da manhã. Um dia e horário criados por Deus para que os seres humanos descansem de suas atribuições diárias, dormindo mais um pouco e, mais tarde, encontrando os amigos e família para relaxar. Um pensamento que me transmite paz, firmemente enraizado no meu subconsciente.
Até ser brutalmente arrancado, como uma erva daninha, por um som profano vindo da rua:
- Olha o gás! Apenas 30 reais! OLHA O GÁS!
Transtornado, me levanto e vou até a janela, a tempo de ver o caminhão se afastando pela rua, os alto-falantes berrando suas promessas de gás de cozinha barato. Apenas 30 reais. Respiro profundamente, olho para o meu colchão, minha silhueta eternamente marcada pelo suor em sua superfície, depois de noites e mais noites mal dormidas de Verão. Volto para a cama e tento recuperar o sono perdido e prometido pelo Senhor.
Mas eis que um grito medonho parte da rua e invade meus ouvidos, atingindo em cheio meu cérebro cansado.
- Macaxeira! Macaxeira! MACAXEIRA!
Dessa vez eu pulo da cama e corro para a janela. Minha respiração pesada forma pequenas bolhas na saliva que escorre pelo canto da minha boca retorcida de ódio. Consigo suprimir o instinto de gritar ensandecidamente e, em silêncio, imagino todas as formas não-cristãs através das quais eu poderia forçar uma interação não-natural entre o vendedor e sua macaxeira. Aos poucos me acalmo. Minha visão, escurecida pela raiva e pelo princípio de infarto, lentamente começa a clarear. Volto para a cama, me deito e fecho os olhos. Como um mantra, repito baixinho para mim mesmo que, afinal de contas, era sábado, o dia do descanso escolhido por Deus. Ele não me deixaria na mão daquele jeito. Mais calmo, senti que meu corpo mergulhava lentamente no sono tão almejado.
Até que o Criador, em sua cólera divina, senso de ironia e, provavelmente, falta do que fazer, me faz escutar mais um grito bisonho, um estupro auditivo tornado ainda mais revoltante pelo conteúdo do que estava sendo berrado.
- Hoje tem missa no Templo da Salvação! Ao lado da Borracharia do seu Zezinho Catinguelê! Templo da Salvação! TRAZENDO PAZ PARA A SUA VIDA!
Sinto o ódio sendo bombeado pelas minhas veias, no ritmo do meu coração enlouquecido. Salto da cama, deixo o apartamento e desço correndo as escadas, sem ao menos me vestir. Abro a porta da rua, tomado por intenções assassinas e idéias horrendas, porém criativas. Sou saudado pela visão do apocalipse. Como em uma convenção do inferno, todos os vendedores ambulantes da cidade e propagandistas de bairro se encontram aglomerados em frente ao meu prédio, competindo entre si aos berros, anunciando seus produtos a plenos pulmões. Vende-se não apenas água mineral, DVDs piratas e cavaquinho. Também se comercializa a perdição do corpo e a salvação da alma, o fim de todos os seus problemas e o início de muitos outros.
Minha visão escurece mais uma vez, as pernas fraquejam e sinto lágrimas quentes escorrendo pelas minhas faces marcadas pelo desespero. De joelhos, sou cercado pela multidão de condenados, que gritam cada vez mais alto, se aproximando de mim, produtos nas mãos e olhos vazios, desprovidos de alma. Meu cérebro desiste, se fecha. Morre.
No alto, Deus sorri.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

E não param de aprontar...




Vamos lá. Respirando fundo, com calma. Não adianta perder a cabeça. Pronto. Pronto, melhorou. Agora já dá pra falar. Certo, então, não sou muito de enrolação e prefiro botar as cartas na mesa logo. Por isso que tenho que dizer a vocês, de maneira plácida e tranqüila como um lago em um dia sem vento:
Na boa, tão querendo fuder o meio-ambiente.
É a única explicação racional. Querem fuder a mãe-natureza e sem nem pagar uma cerveja ou dar um cheirinho no pescoço antes. Vocês eu não sei, mas eu me sinto profundamente irritado a cada notícia nova acerca dos absurdos que o povo quer porque quer praticar contra o mundo de forma geral. Na boa, me sinto no desenho animado do Capitão-Planeta. Sabe, aquele que tinha um americano, uma russa, uma chinesa, um cara negro de um país genérico da África e um sul-africano com um penteado igual ao do Príncipe Valente e um macaco de bicho de estimação. Era muito ruim, mas por outro lado, naquela época eu provavelmente ainda botava o colchão na varanda de manhã. Ah, a incontinência infantil. Mas eu divago, absurdamente. A natureza, sim. Não tem jeito melhor de acabar com ela do que tornando legal o próprio ato de destruir nossas reservas naturais. É o que andam fazendo na Câmara dos Deputados, sempre ela. Dessa vez, a bancada ruralista quer tentar fazer passar algumas leis um tanto, digamos, controversas do ponto de vista ecológico. São propostas tão absurdas que só podem ser na vera mesmo e aqui vai uma amostra do que os caras andam aprontando:
  • Reduzir a Reserva Legal na Amazônia de 80% para 50%
  • Reduzir as Áreas de Preservação Permanente como margens de rios e lagoas, encostas e topos de morro
  • Anistia aos crimes ambientais, sem exigir o reflorestamento da área
  • Transferir a legislação ambiental para o nível estatal, removendo o controle federal
Volte para o primeiro parágrafo, siga as instruções e tente não perder a cabeça. Eu sei, não é fácil. Mas, ao menos, ainda não é tarde demais pra salvar o Código Florestal atual, que não é perfeito, mas ainda é bem melhor do que essa escrotice que estão tentando aprovar.
É isso. Os caras não vão poder se reeleger, por causa da aprovação do Ficha Limpa, por isso estão desesperados pra cometer a sacanagem culminante de suas vidas e se aposentarem no auge de suas carreiras de escrotos profissionais.
Mas isso só acontece se a gente deixar.

Reclamação sugerida pelo amigo e galhofeiro Mauro Rossiter!


Direito do consumidor


Nós, consumidores, estamos acostumados a sermos enganados diariamente. Todo mundo já passou pela experiência de se interessar por um produto ou serviço que parece bastante atraente na propaganda e que se revela uma total decepção depois que já pagamos por ele. Os campeões de reclamações nessa área são, provavelmente, as operadoras de telefonia e as salas de bate-papo de sexo. Não que eu freqüente alguma. Foi o que me contaram. Isso, me contaram.
Uma vez, comprei um sanduíche pela foto e o que me foi entregue no balcão era uma caricatura tão grotesca e deprimente do que havia sido anunciado que a atendente não conseguiu me olhar nos olhos durante a entrega do produto. Constrangedor para ela, que sabe que está comercializando uma coisa totalmente diferente da propaganda, constrangedor para mim, que sou feito de palhaço mais uma vez.
Tudo bem, entendo que a publicidade tem por objetivo criar uma imagem para os consumidores, dessa forma dominando nossas mentes impressionáveis e nos fazendo gastar nosso dinheiro e o do vizinho, se ele der vacilo. Eu aceito o mundo pelo que ele é. Mas nem todos são assim. Algumas pessoas se rebelam contra essa realidade de promessas partidas e ilusões efêmeras que é a publicidade. Uma prova de reclamação relevante, necessária e, ouso dizer, engajada encontra-se abaixo, importada de além-mar. Não entregaram o produto que havia sido anunciado na TV, tiveram que ouvir reclamação.








Pois é. Depois a gente faz piada e eles acham ruim.




sábado, 29 de maio de 2010

Sem limites para o crime II


Outra situação inusitada ocorreu com uma conhecida carioca. Acostumada a uma rotina diária de sobrevivência entre enchentes apocalípticas e chuvas de balas perdidas, a coitada decidiu passar um tempo no Recife, afastada da zona de guerra. Passeava com o cãozinho pelas plácidas ruas do bairro de Setúbal quando foi abordada por um indivíduo armado e visivelmente nervoso. A partir daí, ocorreu o seguinte diálogo:
Criminoso: Passa a bolsa, porra!
Garota carioca: Não tenho, maluco, só vim passear com o cachorro.
Criminoso: Então me dá o celular, caralho!
Garota carioca: Não trouxe, maluco, só desci pra andar com o cachorro.
Criminoso: Putaquepariu, doido! Pára de me chamar de maluco e me dá qualquer dinheiro que você tenha aí!
Garota carioca: Já falei que não tenho nada, maluco! Vim dar uma volta com a porra do cachorro!
Criminoso: Putamerda, não vou sair daqui de mão abanando não. Passa o cachorro!
Garota carioca: O quê?!
Cachorro: ?!
Criminoso: Já falei, porra! ENTREGA O POODLE AGORA!
E saltou para dentro da noite levando o pobre animal. Mal sabia o criminoso que o pai da menina era coronel da Polícia Militar, um veterano calejado pela rotina diária de combate nas ruas do Rio de Janeiro, e nem sempre quando estava trabalhando. Eficiente, o militar mobilizou todo o poderio da polícia local, deslocando tropas de choque, cães farejadores, atiradores de elite e helicópteros blindados no intuito de reaver o amado cachorrinho ou morrer tentando. Os moradores da favela pernambucana, desacostumados ao aparato de guerra que já nem impressiona mais os seus equivalentes cariocas, rapidamente entregaram o bandido, que havia se escondido dentro da comunidade cercada. O poodle foi recuperado, um tanto abalado emocionalmente, porém ileso.


Assim, fica evidente a situação periclitante em que se encontram os cidadãos do Recife, incapazes de saber como reagir a criminosos cada vez mais desprovidos de senso crítico. Violência urbana é uma coisa.
Roubar merda e cachorro é inaceitável.

Sem limites para o crime




Você já foi assaltado? Eu sim. E nem sempre no caminho da padaria, em busca do meu amado pão doce. Quem já passou por isso, sabe que é uma experiência das mais desagradáveis, para dizer o mínimo. Entre o medo de morrer, a vergonha de borrar as calças e o sentimento de impotência de ter que ver seu amado MP3 Player sendo levado por meliantes que nem sequer vão curtir as músicas que estão dentro dele, a vítima acaba presa numa encruzilhada de sentimentos contraditórios, muitas delas optando pela ação mais sensata de todas. Ou seja, colaborar com o assaltante como se tudo aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, ao mesmo tempo em que se recolhe mentalmente ao seu lugar feliz, lá no fundo. Bem lá no fundo.
Mas isso durante assaltos normais, claro. A violência chegou num ponto em que não se sabe mais quem ou o quê são alvos potenciais da bandidagem. E aí fica difícil saber exatamente como reagir. Afinal, quando os marginais exigem a carteira, aqueles dotados de algum sangue-frio ainda conseguem juntar coragem para pedir os documentos de volta. Se levam o relógio, alguns ainda perguntam a hora, só de sacanagem. Tem gente por aí pedindo para fazer uma última ligação pelo celular que está em processo de ser desapropriado naquele mesmo instante. E por aí vai. Mas o que fazer nos casos em que o produto do roubo não se enquadra nas categorias nas quais estamos acostumados e até mesmo condicionados?
Foi o que aconteceu com a avó de um amigo meu. A idosa que se encaminhava a um laboratório de análises clínicas, teve a bolsa roubada no meio do caminho. A pobre senhora ainda tentou lutar, mas foi inútil contra um atacante pelo menos 30 vezes mais jovem do que ela. Chegando em casa desanimada, a aposentada se deu conta de que o criminoso havia levado, além de seu dinheiro, documentação e objetos pessoais, um bônus inesperado.
Dentro da bolsa furtada, estava o exame de fezes que a velha estava indo entregar.


Apesar do óbvio inconveniente da situação, não deixa de existir aí uma certa justiça divina. É impossível reprimir um sentimento de satisfação ao imaginar o assaltante analisando cuidadosamente o produto do roubo e encontrando, no meio de tudo, o presente especial da vovó. Sem dúvida, perdeu pontos importantes entre os bandidos da região, talvez até mesmo tendo que renunciar sua carreira de crimes.


Mas essa, caros reclamenautas, não foi a história de assalto mais bizarra de todas.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dá pra comemorar?



Pernambuco é a nova locomotiva do Brasil, puxando a economia do país principalmente através dos seus investimentos no estaleiro e no Porto de Suape, junto com as indústrias ao redor. Tem índices de desenvolvimento comparáveis aos da China, só que sem empregar criancinhas na linha de montagem para baratear os custos. Pelo menos, até agora não se achou nenhuma. Talvez porque elas já tinham sido processadas e viraram argamassa para alguma construção indefinida. Mas enfim, eu divago, inescapavelmente. O crescimento. Este crescimento acelerado que é motivo de orgulho para os pernambucanos e de esperança para os brasileiros em geral, já que simboliza uma economia madura e capaz de absorver, gradualmente, uma força de trabalho cada vez maior. Tudo isso é muito supimpa, né?


Não, não é.

Pelo menos, não da forma como a coisa está sendo feita. Não me levem a mal. Bairrista que sou, quero mais é ver Pernambuco no topo da economia nacional e todo mundo muito bem empregado. Até porque, só assim vou parar de ser assaltado toda vez que vou comprar pão doce na padaria. É vício. Enfim, o problema é que, no meio dessa empolgação toda acerca do renascimento da indústria do estado, andam passando por cima de umas besteirinhas que poderiam atrasar um pouco a coisa. Tipo, um estudo do impacto ambiental desses projetos todos. Suape fica em uma área de mangue essencial para a manutenção do ecossistema local, além das populações de pescadores que há gerações vivem do que se pesca naquela área. E já se prevê o desmatamento de uma área de mangue equivalente a...


...calma. Deixa eu verificar aqui, deve ter algum erro. Hmm. Hmmmmhmmm. Não. É isso mesmo, tá tudo certo.

Equivalente a 508 campos de futebol. O setor de Engenharia Ambiental daqui do Blog da reclamação, em colaboração com o de Esportes, realizou esse estudo e confirmou o número. Eu sei, porque eles levaram a única trena que tinha aqui no escritório. Mas você não precisa acreditar na gente.

Já faz tempo que Suape está em falta com o meio-ambiente, até mesmo legalmente falando. Infelizmente, por mais que a expansão do porto e arredores acelere a economia local, a verdade é que a natureza, no final das contas, fica parecendo mais as plantinhas da minha mãe.




E se você não quer ver os manguezais da região iguais a essa foto aí em cima, cobre maior responsabilidade ambiental, não apenas de Suape, mas de qualquer empresa ou indústria que se instale na sua cidade.
E agora, se me dão licença, vou comprar meu pão doce.
Reclamação sugerida pelo leitor, irmão e presidente do fã-clube de Fortaleza, Saulo Toscano. Aquele da apnéia selvagem. Valeu, Saulinho!