sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Sexta-feira dos convidados: O almoço e a não moça



[Não sou de reclamar muito. Por isso entendo que para equilibrar o universo algumas pessoas façam isso demasiadamente.]








Dia desses fui almoçar e, como de costume, cheguei faltando minutinhos para o self-service fechar.
Enquanto lavava as mãos aparece uma senhora, com aproximadamente 70 anos, paradinha ao meu lado, só aguardando eu terminar.
Mesmo havendo outras três pias livres, limpinhas, com água corrente e sabão líquido. … ela fica ao meu lado. E puxa assunto.

- Quase não dá tempo hoje, né, meu filho?

(Antes de continuar é importante dizer que tive uma ótima educação doméstica. Respeitar e tratar bem os idosos tornou-se uma ação natural para mim.)

Respondo com um sorriso e um leve balançar positivo de cabeça.

- Quase mesmo.

Ela, metralhadoramente, continua:

- Eu quase que não chego. Tive que acompanhar minha sobrinha num exame de vesícula. Aí sabe que atrasa sempre, né? Eles dizem pra chegar numa hora, mas nunca adianta. Nunca é na hora. A gente devia nem ir por causa disso. Mas precisa, né?

Nesse momento me arrependi de ter respondido. Deveria ter dado uma de surdo, fazendo gestos que simulassem libras. Certeza que ela iria embora.
Mas dirigindo-me aos pratos, falei:

- É verdade.

Ela, com bandeja e prato em mãos e já nas saladas, continua:

- Outra vez foi o menino dela. Ficou doente e ela não tinha com quem deixar. Deixou lá em casa, né? Porque a vó mora longe. Lá em Abreu e Lima. Aí sobra pra tia. Bem dizer que eu é quem crio o filho dela. Só vive lá em casa. Olha! Beterraba! Você bota um pouquinho aqui, meu filho?

Bom. Eu já estava colocando pra mim mesmo. Fiz o que ela pediu e ainda continuei a conversa.

- Claro. Beterraba faz bem, num é verdade?

Putaquepariu! Por qual diabo de motivo eu quis continuar a conversa? Essa era a hora certa pra eu cair fora. Mas não consegui. E já esperei a continuação dela.

- É. Deixa o sangue forte. Os meninos de hoje em dia não comem mais isso não. Por isso ficam tudo doente. Comida tem que ter fibra. Tem que comer arroz, feijão, cuscuz, ovo. Brigada, meu filho. Olha aí no seu prato … tomate, beterraba, verdurinha. Isso é que é bom. Mas os menino jovem num querem isso não. Só quer comer doce, hambúrguer … tudo que não presta.

Caminhando para os acompanhamentos ela não para.

- Tinha uma época que eu não tava comendo carne. Porque dizem que faz mal, né? Mas agora eu como. Porque se eu não comer dá logo fome. Mas num é toda carne não. Porco me dá uma azia danada. Uma queimação aqui dentro quando arrota. Sabe?

Pensei em dizer "Não, minha senhora. Como caralhos vou saber?", mas não. Respirei e respondi.

- Humrum.

- Repare se eu tenho idade pra tá me preocupando com comida. Tem que comer o que gosta. Você que é jovem, não. Tem que se preocupar com essas coisas.Veja se eu, com 68 anos vou me preocupar com isso. Eu gosto é de feijoada. … Hoje nem tem, né? … Você tá vendo feijoada ali?

- Não, senhora.

- Mas tem na sexta. É bom chegar mais cedo, viu? Aqui fica cheio demais quando tem feijoada e dobradinha. Porque não tem um lugar que preste pra comer aqui por perto … Você gosta? … Eita! Eu nem peguei garfo e faca. Onde você pegou?

Esse foi um momento tenso. Normalmente a minha reação seria ir até o lugar dos talheres e pegar um pra ela. Mas não consegui. Sem pensar muito respondi.

- Logo ali. Cuidado pra senhora não esquecer, viu?

Pronto. Feito. Em seguida, quando ela começou a se virar pra buscar o talher, tive que agir. Coloquei pimenta do reino em todas as carnes, no peixe, no frango, nas almôndegas … em todas as outras comidas que ela poderia colocar no prato e … brincadeira. Não fiz isso. Apenas passei rapidamente por tudo, pesei e achei o melhor lugar pra sentar.

A única cadeira vazia de uma mesa bem distante.


Por @Lucas_Emanuel

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Vida de estagiário: o abatedouro clandestino, parte II


O Coque. Uma favela encrustada no meio do caminho entre as Zona Sul, Norte e o Centro do Recife. Barracos caindo aos pedaços, ruas sem asfalto, prostituição, tráfico de drogas, violência e Testemunhas de Jeová. Não satisfeito, Deus quis que a comunidade existisse em uma ilha, a de Joana Bezerra, provavelmente para dificultar a fuga de qualquer um que tenha a infelicidade de ir parar lá dentro. E tem quem diga que o inferno não existe.
Seguíamos a viatura em alta velocidade, passando por rua e vielas que eu jamais havia visto antes. Era como se uma parte totalmente nova e absolutamente horrenda da cidade fosse brotando do asfalto debaixo dos pneus gastos da Kombi onde estávamos. À medida que nos aproximávamos do nosso local de destino, Biu, o motorista, aparentava mais e mais nervosismo. Meu colega de equipe descansava a cabeça grisalha na mão esquerda, tinha os olhos fechados e parecia murmurar consigo mesmo, como se rezasse. Eu considerava seriamente a possibilidade de pedir para descer do veículo e enviar minha demissão no dia seguinte, alegando angústia mental extrema e total ausência de coragem.
Subimos uma ponte, descemos um viaduto, desviamos de vários buracos, entramos em todos os becos e, meio que de repente, chegamos à Comunidade do Coque. As ruas estreitas eram, em sua maioria, de barro e coalhadas de poças de lama. As calçadas inexistentes eram os alpendres dos barracos horríveis, formados por uma colcha de retalhos de folhas de compensado e umas poucas paredes de tijolos quebrados, nus, sem reboco. Eram essas habitações miseráveis que projetavam sombras anãs pelas via, uma vez que não havia árvores ou qualquer coisa que filtrasse o sol abrasador do Recife. Cachorros mancos buscavam alimento em pilhas de imundície nas esquinas, espalhando a porcaria pelas ruas, fazendo com que o povo transitasse no meio do lixo. O povo. Nos olhavam com expressões indecifráveis, observando pelas janelas semicobertas o movimento. Cochichavam uns com os outros e apontavam com a cabeça a escandalosa viatura que abria caminho. O que se comentava ninguém sabia, mas parecia claro que não éramos bem-vindos naquele local.



 
- Putamerda... – balbuciei, olhando ao redor impressionado. Recife possui um sem-número de favelas, mas eu jamais havia entrado em uma, muito menos acompanhado de um carro de polícia que só faltava apresentar um “META BALA” pintado em letras garrafais no capô. Para que o leitor possa fazer uma ideia aproximada da situação em que nos encontrávamos, requisitei ao Departamento de Arte uma imagem aérea com legendas explicativas.

  Clique na imagem para ampliar
Abatedouro clandestino
Viatura
Nós
Pontos de perigo extremo que podem resultar em morte, desmembramento e violência sexual bizarra, não necessariamente nessa ordem.
Rotas de fuga

Talvez você tenha percebido que as rotas de fuga não estão representadas na imagem. É porque não existia nenhuma. O estagiário do Departamento de Arte deve ter se confundido e adicionado a legenda. Pode-se perceber que a nossa situação era, no mínimo, delicada. Olhei para Biu, que arranhava as marchas da Kombi, devido ao tremor incontrolável de suas mãos.
- Será que...será que tem algum ex-vizinho seu por aqui, Biu? – perguntei, buscando uma referência local, caso o pior acontecesse e fosse necessário nos entrincheirarmos até a chegada das forças armadas.
- Tomara que não... – respondeu Biu, que tinha fama de gostar da mulher dos outros, afundando no banco do veículo e fazendo o possível para esconder o rosto.
Ao meu lado, o tutor da Vigilância Sanitária pareceu ter saído do seu transe e consegui discernir a palavra “amém” da sua ladainha em voz baixa.
- Mas tu não era ateu?
- Frederico, não existem ateus no Coque. – retorquiu o homem mais velho, recém-convertido em fanático religioso por força da necessidade. Benzeu-se e depois pegou do bolso do motorista, sem pedir permissão, a imagem de Nossa Senhora, beijando-a fervorosamente.
O carro de polícia parou em uma rua perto do rio e Biu, suspirando, estacionou a uma distância respeitosa da viatura. Olhei para meu superior, que parecia perdido em pensamentos.
- E aí?
- Oi? Ah, sim. Agora a gente...a gente vai lá e faz a...faz a inspeção.
Respirei fundo, abri a porta e saí da condução.

Continua...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Show da banda Golou o Ovo

Para os que perderam o show da super banda Golou o Ovo, lá no Uk Pub, dia 18, aí vai uma amostra da performance dos caras. Atentem para minha participação no vídeo, espontaneamente decorando o microfone do vocalista Bizú com um lenço de gosto duvidoso, que minha mãe já pediu de volta:








Quem ficou de fora, não se desespere! Haverão outros shows e, claro, outras promoções.

Acompanhem o Blog e aguardem.

PS - Alguém aí sabe que música eles estão tocando?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Vida de estagiário: o abatedouro clandestino, parte I




A supervisora do primeiro setor da Vigilância Sanitária entrou de supetão na sala onde se reuniam os inspetores e declarou, esbaforida:

- Gente! Denúncia de emergência! Quero vocês prontos pra sair em dois minutos!

- O que foi que aconteceu chefa? Denúncia de quê? E onde? – questionou um dos inspetores.

- Abatedouro clandestino. Lá no Coque. – acrescentou ela à meia-voz. Os colegas que não haviam sido selecionados para a missão suspiraram de alívio. Virei para meu tutor, que exibia uma expressão preocupada e indaguei, sem muitos rodeios:

- Caralho, no Coque?

- Se fudemos. – declarou meu companheiro, placidamente.

- Não foi lá que teve um tiroteio esses dias? – comentou um dos técnicos. Logo, todos começaram a relembrar casos escabrosos ocorridos na região. 

- Esses dias não. Todo dia. Minha empregada mora lá perto e falou que acorda e vai dormir com o pipoco de bala.

- Ontem mesmo mataram um. Meteram tanta bala no barraco que até o gato morreu. O gato, doido. Fuleiragem...

- Meu cunhado é tenente da Choque. Aquele que é acostumado a separar os cacetes que rolam entre a Torcida Jovem e a Inferno Coral. Pois ele disse que no dia que mandarem ele entrar no Coque, pede exoneração da corporação.

- Semana passada um tarado, aquele lá do mangue, resolveu se esconder por lá. Pois pegaram o homem e deram fim nele ali mesmo. Dizem que primeiro deram uma pisa no desgraçado, daí arrancaram as unhas com alicate e depois cortaram a bilola e socaram no...

- Chega! Quero vocês na Kombi, já! E não se preocupem, que vocês vão receber escolta. Uma viatura da polícia vai acompanhar a Vigilância. – acrescentou a supervisora, sem muita convicção.

Nos levantamos, recolhemos nosso material dos armários e seguimos para o pátio. No caminho, virei-me para meu colega e dei voz as minhas apreensões.

- A gente vai entrar no Coque com uma viatura do lado? Né pior não?

- Geralmente, eles não abrem fogo contra a polícia assim, sem provocação. Não de dia, pelo menos.

- Geralmente?
 
- Frederico, você prefere entrar lá sozinho?

- Eu prefiro não entrar!

- Isso aí não pode. Somos inspetores da Vigilância Sanitária do Recife...

- Eu mesmo não, sou só o estagiário, cacete!

- ...e temos um dever a cumprir. E, por Deus e por Nossa Senhora, nós vamos cumpri-lo! – declarou meu companheiro, tomado por um orgulho profissional incomum. Talvez já pressentisse um final trágico para aquela missão e desejasse emprestar uma maior gravidade aquele momento. Continuamos em um silêncio funéreo até chegar á condução, onde o motorista nos aguardava cochilando no banco de trás. Dei uma pancadinha na lataria do automóvel para acordá-lo e o homem ergueu-se preguiçosamente.

- Bom-dia. – fez ele, esfregando os olhos avermelhados e sorrindo debilmente. Encarei meu companheiro.

- Ele não tá sabendo.

- Não tô sabendo do quê?

- Biu, fique calmo. Veja bem, recebemos uma denúncia de emergência e temos que investigar. Hmm. Lá no Coque.

- Minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro! Onde?!

- No Coque, Biu. Que frescura é essa? Você não disse que já morou lá perto? 

- Morei sim senhor. Por isso que tenho medo.

- Não se preocupe, ninguém tá pedindo pra você se mudar de volta pra lá. É pra levar a gente, aguardar a inspeção e trazer de volta. Só isso. E vê se não perde a viatura da polícia de vista. – acrescentou meu tutor enquanto afivelávamos o cinto de segurança.

- Viatura? Cremdeuspai! – Biu, que era evangélico, beijou discretamente uma pequena imagem de Nossa Senhora que levava no bolso da camisa.

Os policiais já aguardavam em seu veículo do lado de fora da sede da Vigilância. Arrancaram pela rua assim que nos viram e Biu fez o que pôde para acompanhar o outro carro. Suspirei fundo e me preparei para adentrar um dos locais mais perigosos da cidade do Recife.

A Comunidade do Coque.


Continua...



domingo, 22 de agosto de 2010

Domingo é dia de enquete!



Votação encerrada e resultados saindo! Como não dá pra avaliar o quociente de sinceridade dos leitores, fica difícil dizer se todo mundo está muito bem e só eu que ando mal, ou o contrário. De qualquer forma, eis o que responderam acerca do seu estado civil:


Solteiro. Eu não como ninguém, ninguém me come e eu não vejo perspectiva dessa situação mudar.  (35%)
 
Casado. Com filhos. Afastado dos amigos. E com contas a pagar. É o perído mais feliz da minha vida.  (0%)
 

Viúvo. Pela quarta vez. Quer me apresentar alguém?  (0%)
 
Nenhuma das anteriores. Levo uma vida feliz e saudável como amante, ficando apenas com o bônus do relacionamento, sem o ônus das cobranças e perda da individualidade.  (64%)
 
Francamente, acho que são todos um bando de mentirosos safados, mas quem sou eu pra ficar julgando? Fiquem ligados na próxima enquete e não deixem de votar!
 
É só clicar aí do lado!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sexta-feira dos convidados: O self-service que quase acabou em Buffet




Ano passado fiz uma viagem meio longa com meu namorado. Arrumamos a mala e seguimos de carro do Recife (PE) até Floripa (SC) e, claro, voltamos 31 dias depois de muita estrada, mas muita alegria – passamos por muitas praias paradisíacas e nos divertimos muito. Apesar de não ter acontecido qualquer incidente com o carro, sempre que estávamos na rodovia e tínhamos que parar pra almoçar era uma briga sem fim - tenho que deixar claro que não sou fresca pra comer, Felipe (o namorado) é que tem o paladar pouco apurado. Foi durante essa viagem e os nove mil quilômetros percorridos que aprendemos que nem sempre self-service é self-service.

Enfim, as primeiras paradas para almoços aconteceram no Nordeste, nesse caso, o problema era a qualidade da comida que variava muito entre ruim e péssima. Lembro inclusive do cheiro de um lugar onde paramos, numa beira de estrada na Bahia (o pior lugar para almoços em estrada!) que tinha mais moscas que clientes. Parecia uma rodoviária e, enquanto eu me encaminhava – com cara de quem iria à forca – até a mesa de comidas, o garçom me disse: “Se aperrei não que tá tudo novinho, viu moça?!”. E Felipe ainda me sai com: “Tá vendo que está tudo novinho. O garçom mesmo disse”. E eu pensei: “ahah! Ingênuo!”. Nesse lugar meu prato deu R$ 1,92 (lembro até dos centavos) + R$ 1,50 (do suco de laranja) + R$ 2,50 (do sorvete Kibon Sorvane). Pelo menos foi econômico!

Seguindo viagem paramos em vários outros lugares bizarros, que nem vale citar aqui e comemos em muitos self-services que, no Nordeste e para quem não sabe, é aquele tipo de restaurante em que a comida é pesada numa balança e paga por quilos ou gramas. Mas nem tudo são gramas e quando fizemos a primeira parada no sudeste tomamos um susto. Self-service, para o restante do País, na verdade é o que chamamos e Buffet (ou rodízio) e vice-versa. De cara, pagamos R$ 22,00 por um self-service, que pra gente era um rodízio de carnes.

Paramos na capital paulista e, então, tentei explicar a diferença pra Felipe que não só não concordava como tinha uma teoria conspiratória super bizarra (que também não vale a pena ser citada aqui). Enfim, seguimos viagem agora em direção ao Sul e, quando estava na hora do almoço e estávamos na estrada era aquele “Deus nos acuda”. Lipe via a placa “self-service”  e dizia: “Olha, aqui a comida é no peso!”. E eu retrucava: “Não é no peso meu amor! Você ainda não entendeu. Argggh! Ande com esse carro!”.

Mas o cúmulo aconteceu já na volta, assim que cruzamos a ponte Rio-Niterói pegamos a rodovia dos Lagos (ainda bem, em direção contrária a um engarrafamento pós-feriado) e vimos a placa Self-service e, mais uma vez Felipe insistiu na idéia de comida a peso. Quando eu pedi, “estacione o carro e pergunte ali a mulher da recepção se é mesmo no peso, enquanto eu calço essa sandália”. Dois minutos depois volta ele feliz da vida: “Sim sim! É no peso!”. Quando eu entro no lugar não vejo balança, mas apesar de desconfiada faço meu prato. Quando vou pesar e me preparar para desembolsar uns R$ 15,00 é chegada a hora do susto. 

Eu: - Moça, por favor, onde fica a balança!

Atendente: - Perdão senhora, não entendi!

Eu: - A balança moça, pra pesar o prato, antes de começar a comer.

Atendente: - É.... não tem balança. É self-service você come o quanto quiser e só paga R$ 37,00, senhora.

Eu: - A claro... (em pensamento: vou matar Felipe!)Obrigada!
Alguns passos até a mesa e... – Lipe, você disse que era no peso. Tá maluco!

Lipe: - Pirilinha linda, eu enganei! Mas a comida está ótima!

Eu: - Você por acaso sabe quanto é o rodízio nessa budega?!

Lipe: - A moça me disse agorinha ali. R$ 37,00, mas a vale a pena. A comida está boa!
Eu: - Só por isso você vai pagar o meu e o seu almoço. Tá bom!?!

Depois do susto aproveitei pra encher o bucho. A conta deu R$86,00 e, claro, tivemos mais uma discussão (quase em silêncio porque o restaurante estava lotado) horrenda por causa do temido “almoço durante a viagem”. Mas pelo menos, depois do ocorrido e do quase fim de namoro, Felipe entendeu que self-service nem sempre é self-service (Fica a dica!).

Por Mariana D'Emery.


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mainha


Passamos boa parte da nossa infância, meus irmãos e eu, soltos pelas ruas de barro e terrenos baldios do bairro do Janga, na cidade de Paulista, Região Metropolitana do Recife. Foi praticamente uma criação de interior, roubando caju e carambola do vizinho, jogando futebol, bola de gude, queimado, empinando pipa, brincando de esconder, de pega e todas as suas variações, como congelou, americano e macaco. E porque éramos razoavelmente trelosos, o resultado de muitos dias de diversão infantil era um só: pisa. Geralmente da minha mãe, que é quem passava mais tempo em casa e, é preciso que se diga, não tinha lá muita paciência com três meninos um tanto sem limites. Paraibana da cidade de Monteiro, chegou a ter um namorico com um dos maiores astros pop do estado, o sanfoneiro Flávio José.



Dizem que eu sou a cara dele.

Veio ao Recife estudar e tentar uma vida melhor. Acabou casada, morando no Janga e com três monstrinhos na barra de saia. Mamãe não era boa em fazer planos, como se pode perceber.

 Mas sabia disciplinar os filhos que era uma beleza. Apesar de achar que ao menos 37% (na última contagem) das surras que eu levei foram indevidas, eu não reclamo de nada. Acho impressionante como as crianças e adolescentes de hoje desrespeitam os pais, fazendo literalmente o que querem em casa. No meu tempo e dos meus irmãos, quando morávamos em uma grande casa de primeiro andar, bastava que mamãe mandasse que parássemos com a trela que congelávamos na mesma hora. A alternativa era bem pior, acreditem. Não sei se por preguiça ou por puro sadismo maternal, mas muitas vezes ela ordenava que marchássemos para o andar superior e fôssemos buscar o cinturão (do meu pai) que seria usado nas nossas bundas ossudas. A única vantagem era que podíamos escolher o mais macio e tirar logo a fivela, para machucar menos. Depois descíamos e, muito obedientes, entregávamos o cinto nas mãos de mamãe. E tome lapada. Não quero dar uma de religioso aqui, mas só conheço um sujeito que ia ali e voltava carregando o seu próprio instrumento de tortura, entregando-o serenamente aos seus algozes.


  
Vai, tira a fivela agora, safado!


Até hoje minha nádega direita é meio dormente, o que é um verdadeiro problema em shows e ônibus lotados. Me vestir pode ser uma agonia, se eu estiver distraído. Por instinto, arranco a parte metálica do cinturão e jogo pela janela. O vizinho já não sabe o que fazer com tanta fivela na varanda dele. 

Por sua criação no interior e também porque, francamente, às vezes testávamos a paciência dela, mamãe acabou desenvolvendo o hábito de distribuir respostas um tanto ríspidas demais para os filhos pequenos. Em muitas ocasiões, quando um de nós (ou todos ao mesmo tempo) voltávamos machucados da rua, aos prantos por um cortezinho insignificante na ponta do dedo, íamos mostrar o estrago para nossa mãe. Esta, invariavelmente, observava o ridículo machucado, fazia uma careta de profundo nojo e exclamava:

- Pronto! Vai sair as tripas por aí!

Era desesperador ouvir essa sentença mortal, antes de ficarmos velhos e espertos o suficiente para perceber que os nossos intestinos não iam escapar por aquele furinho na cabeça do dedo, que mal sangrava aquele sanguinho alaranjado dos meninos que não gostam de se alimentar direito. Tarefa de casa? Se bem-feita, muito bem. Se não, mostrávamos o resultado e ouvíamos algo do tipo:

- Está parecendo mais a tua venta! Faz tudo de novo, moleque!

Quando ameaçávamos uma trela de proporções mais épicas e dávamos o azar de ser pegos antes da conclusão do ato, mamãe, que é branca feito uma macaxeira descascada, adquiria tons rubros pelo rosto, apertava os punhos e ameaçava com a voz trêmula de raiva:

- Você não está manifestado, menino!

Ou o meu favorito, uma variação muito mais criativa da frase anterior:

- Você não está mordido do cachorro doido!

Se demorávamos a tomar o banho, ela diagnosticava, implacável:

- Estão cheirando a macaco morto a tapa! Já pro banheiro!

E se, mais velhos e mais ousados, ensaiávamos timidamente alguma resposta mais ousada, a réplica de mamãe era muito mais contundente do que as pisas que já não assustavam tanto:

- Repita o que você falou, seu cavalo batizado!

Eu, que jamais havia convivido com cães ensandecidos, cadáveres de macacos e pangarés cristãos, muitas vezes me perguntava que tipo de infância minha mãe havia tido em Monteiro. Mas a verdade é que, apesar de tudo, das surras e das respostas cortantes, a minha infância eu não troco por nada. Brinquei na rua, dei trabalho e fui uma criança feliz, com todas as cicatrizes para provar na minha canela fina. Hoje em dia mamãe já não dá mais essas respostas pitorescas, o que na verdade acho uma pena. Às vezes, quando faço algo errado e tenho consciência disso, quase consigo escutar o eco da voz da minha mãe, ralhando comigo do jeito que só ela sabia fazer. E quando isso acontece, eu paro e reflito melhor sobre o que estou fazendo antes de continuar.

Só para garantir.

Promoção: Show da banda Golou o Ovo! RESULTADO!









E chega ao final a promoção do Blog da reclamação com a banda Golou o Ovo! E a feliz vencedora é a leitora Henna Roberta, que vai levar um par de convites para o show hoje a noite, lá no Uk Pub, a partir das 21:00 hs!
O Blog e a banda gostariam de agradecer a todos que participaram, enviando fotos e legendas e manda avisar que essa é apenas a primeira de muitas parcerias e promoções por aqui! Continuem ligados!
Um abraço a todos e não me liguem hoje a noite: vou estar no Uk Pub curtindo o show da Golou o Ovo!



terça-feira, 17 de agosto de 2010

Promoção!


Gato: Caraca!!Eu odeio pedir dinheiro aos outros...mas por favorrrr....eu preciso ir ao show da banda golou o ovo!!




Por Ana Carolina Fagundes



Promoção!


Isso sim é o filho de um ovo que golou!!





Por Nayara Acioli

Promoção!


Oi? Cadê Stephany (a do cross fox) para sensualizar na piscina?




Por Diego Gouveia


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Promoção!




Já disse que sou inocente!! Pensei  que aquele  seu casaco de pele Prada fosse aquele  gatinho miseráaaaavel!!


Por Ana Katharyne