Calma, os textos dos convidados não vão deixar de acontecer! Mas a obrigatoriedade das sextas-feiras já era. Os convidados vão aparecer ao longo do mês, sem dia específico, quando vocês menos esperarem! Não fiquem chateados e, se sentirem que o ódeio e o desapontamento estão prestes a tomar o coração de vocês, olhem para a imagem dos cachorrinhos se pegando, contem até 10 e fiquem calmos.
E por hoje, divirtam-se com a queixa em vídeo do sr. Dodson aí embaixo.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O intruso
Sim, esse é um blog dedicado à reclamação, mas como já se falou anteriormente, tem gente por aí fazendo isso com muito mais competência do que a nossa equipe. Que o diga o senhor Antoine Dodson, estadunidense, pessoa séria, que paga seus tributos em dia e se viu horrorizado ao encontrar, em seu apartamento, um indivíduo tentando violentar sua irmã.
E, como no território sem lei da Internet a escrotice humana não conhece limites, aí vai a versão musicada da peculiar queixa do sr. Dodson, com direito à remix.
Como eu sempre digo, se é pra reclamar, tem que fazer a coisa com classe.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Horror
Fui até a cozinha verificar as opções de almoço. Abri a geladeira, fucei as prateleiras, cutuquei o congelador, buli nas gavetas e finalmente encontrei a carne que minha mãe havia deixado temperada para que eu cozinhasse. Ao abrir a tampa do vasilhame plástico, contive uma exclamação de horror ancestral e por pouco não derrubo o conteúdo no chão. Lá estava ele. Vermelho. Brilhante. Ensanguentado. Medonho.
Fígado.
Sim, dentro da vasilha manchada estavam fatias do órgão abjeto, prontos para irem para a panela e depois, presume-se, para o estômago de algum pobre coitado incauto. No caso, eu. Indiferente ao meu asco e à uma possível retribuição divina, minha mãe ainda havia coberto tudo com sal, pimenta e colorífico, talvez visando mascarar o horror adormecido sob aquela absurda camada de temperos. Se você já viu um fígado, então vou poupar-lhe de uma descrição mais aprofundada. Ciente de que este é um blog de família, também não colocarei uma foto dessa coisa, de modo a não ofender os corações mais vacilantes.
Há, te peguei!
Sim, isso aí em cima é a foto de um fígado. Ou seja, eu menti para você. A vida é assim mesmo, paciência. Não reclame comigo, e sim com Deus, que permite que tais aberrações gastronômicas coexistam conosco no mesmo plano físico. Francamente, não sei onde Ele estava com a cabeça. Ao observar aqueles horrendos pedaços de carne, me perguntei o que havia feito para que minha mãe me punisse daquela forma. Dar fígado para uma criança comer, sabemos todos, é um dos castigos mais antigos exercidos pelas progenitoras impacientes e com certas tendências sádicas. Nada original, mas altamente eficiente. Tanto que deixei de ser menino faz tempo, mas ainda sinto uma fraqueza nas pernas quando ouço falar de fígado. De fato, não gosto nem de pronunciar a palavra. Fígado. Pronto, agora me sinto sujo. Hora de escovar os dentes na tentativa de me livrar do palavrão. Em um nível puramente científico, porém, não deixa de ser interessante tentar descobrir quais razões levam um ser humano sadio e razoavelmente civilizado a se alimentar de um órgão cujas funções incluem a produção de gordura, purificação de toxinas (que acabam se acumulando nele) e transformação de amônia em ureia. Isso mesmo, ureia. Ou seja, a primeira etapa do mijo começa no fígado. Já bateu a fome?
Desconfio de quem come fígado sem ter uma arma apontada para as cabeças de toda a sua família. Se gosta, então, pode ter certeza: é psicopata. Sabe o Hannibal Lecter, o assassino do filme Silêncio dos Inocentes? Foi preso depois de degustar o fígado de um colega com favas e vinho Chianti. Daí se tem uma ideia do tipo de pervertido que consome esse órgão horroroso.
Jantar lá em casa? Eu compro o vinho, você traz o fígado.
Mas tenho fé em Deus e na genética, que um dia há de criar animais desprovidos de fígados, privando as mães de cerca de 74% do seu poder de ameaça. E se você ainda tem alguma dúvida sobre os malefícios do consumo desse troço, saiba que o foi gras, também conhecido como patê de fígado de ganso, é obtido ao se alimentar forçadamente o animal até que seu órgão atinja proporções bíblicas. E quando falo “órgão”, não me refiro ao pênis dele e sim ao fígado. Já falei que isso aqui é um blog de família, cacete. Embora passar o dia sendo alimentado e não fazendo mais nada seja o sonho de aproximadamente 93,87% dos leitores desse blog, no caso dos gansos isso leva a uma existência infeliz e sofrida, tudo para alimentar as sanhas de alguns tarados que não sabem mais em quê gastar seu dinheiro.
Acha que ele está feliz? Acha?!
Tanto asco pode parecer estranho, especialmente partindo de alguém que adora buchada, sarapatel e tripa de bode torrada, além de já ter sido flagrado comendo tanajura em mais de uma ocasião, mas insisto no meu argumento de que é preciso ter alguma espécie de desordem mental e moral para ter coragem de encarar uma coisa tão nojenta. E lá estava eu, prestes a preparar o almoço. Fígado acebolado.
Mais ou menos como mandar o condenado dar o nó da corda na qual ele vai ser enforcado.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Queixas rápidas
Dignidade
Duas amigas conversam animadamente no sofá da sala em um domingo de manhã, quando o marido de uma delas surge do quarto, trajando pijamas e sonolento. Cruza para a cozinha, murmura um “bom-dia” cheio de remela e se dirige de volta para o quarto com um copo d’água na mão. Uma das mulheres aponta para o homem desgrenhado e comenta:
- Menina! Mas não é que teu marido não tem bunda nenhuma?
Ambas as mulheres caem na risada. O homem interrompe sua marcha para a cama, gira sobre os calcanhares e sentencia, muito digno:
- Minha filha, homem tem que ter é rola, não bunda.
E volta para o quarto, pisando duro. Sentindo que sua honra havia sido satisfatoriamente defendida, adormece imediatamente, ignorando as duas mulheres horrorizadas na sala.
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Punk de butique
Os meninos se divertem contando histórias de transgressão, tendo em vista impressionar os amigos. Um fala da suspensão após soltar uma bomba no banheiro do colégio, outro da surra que levou ao chegar em casa com um brinco na orelha e por aí vai. Chega a vez do que tinha o visual mais alternativo, cabeludo, cheio de piercings, tatuagens, camisa de Che Guevara e calças cuidadosamente rasgadas.
- Então, velho. Uma vez fui numa festa na casa de uma galera aí. Tava lá, fazendo nada e vi um quadro na parede. Meu irmão, você via que era quadro caro, cosia de capitalista mesmo, sabe? Fiquei indignado com aquilo, daí não tive dúvida. Fui lá e escarrei no quadro. Botei pra fuder.
Os amigos ficaram devidamente impressionados, menos um, que questionou:
- Tá e depois?
- Depois o quê?
- Tu foi lá, cuspiu, destruiu o quadro caro da família do doido lá. E aí?
- Aí...aí, nada, porra.
- E depois, quando encontraram o quadro? Tu fez o quê? Arrancou ele da parede? Mandou todo mundo tomar no cu? Bateu no peito e disse que foi tu mesmo que cuspiu e queria que tudo quanto era capitalista e riquinho se fudesse? Tu fez isso?
Pressionado pelas perguntas e pelos olhares inquisitivos dos colegas, o garoto cedeu, gaguejando a conclusão da história.
- Não, eu...descobriram que fui eu. E aí...aí...
- Fala.
- Aí painho foi lá e pagou outro quadro.
Depois desse dia, perdeu o respeito dos amigos. Cortou o cabelo, livrou-se dos piercings e virou pagodeiro.
domingo, 12 de setembro de 2010
Domingo é dia de enquete!
E olhaí o resultado da enquete do Dia da Independência!
O feriado de Dia da Independência do Brasil se aproxima. Conte de que forma você pretende passar essa importante data cívica:
1- Vou tirar aquela velha calça camuflada do gaurda-roupa e sair atrás do desfile até o fim ou até eu entrar em colapso pelo calor e pela fome! O que vier primeiro! (6%)
2- Um monte de gente armada, uniformizada, fazendo cara feira e se aglomerando nas principais vias de acesso da cidade? Já dei de cara com a Torcida Jovem essa semana, valeu. Beijo e não me liga. (26%)
3- Pretendo comprar uma daquelas micro-bandeiras do Brasil e assistir as comemorações pela TV. Prefiro ser patriota de longe, que nem em dia de jogo da seleção. (0%)
4- Sou contra comemorar a Independência do Brasil. Agora, Dia do Índio, sim! Todo mundo pra rua, pelado! (66%)
E assim, fica claro o que todo mundo já sabia: brasileiro gosta mesmo é de zona. E por falar em zona, fique ligado na próxima enquete que já está no ar. E como sempre, obrigado a todos que votaram!
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Sexta-feira dos convidados: Recusa [ou Refusal]
Antes eu vivia em paz. Ela acabou quando o Sr. Toscano me pediu que escrevesse um texto para o seu Blog da Reclamação. Porque no início ele pediu, humildemente. Com o tempo, como se eu tivesse feito um juramento solene de que atenderia, passou a me exigir o texto com crescente intransigência.
Serviu-se para tanto de todos os mails ao seu alcance. Não bastasse isso, atulhou-me de recados no Orkut e no Facebook, mensagens no Twitter e no MSN. Era onipresente na internet. Eu só podia pensar que dedicava o dia inteiro a me exigir o que eu não tinha prometido, o que definira singelamente como uma breve reclamação, o relato de uma situação em que eu tivesse me dado mal.
Entretanto, só comecei a ficar preocupado de verdade quando no lugar dos anúncios pornográficos e pop-ups de promoção passei a ver a imagem de Fred, ou melhor, do Sr. Toscano com o indicador voltado na minha direção e aquele olhar de inquisidor que até seus desconhecidos conhecem, sucedida pelo relampejar das seguintes palavras na tela: “João, cadê meu texto?”
No dia em que assisti Inception, notei que as pessoas olhavam pra mim na rua como se eu fosse um elemento exógeno, um alienígena disfarçado, o oitavo passageiro. Uma delas, ao esbarrar em meu ombro, chegou a sussurrar de forma agressiva: “João, cadê meu texto?”, depois do que piscou os olhos como quem retorna de um transe, pediu desculpas e prosseguiu.
Ainda bem que o filme não foi Matrix, ou eu teria passado a ver em todo mundo o abominável rosto do meu próprio Mr. Smith, a saber, o Sr. Toscano – não se deixe enganar pelo ar de simpática franqueza da foto no topo do blog –, me perguntando “Onde está o meu texto, Sr. Parisio?”. Desconfiei que ele, que foi meu colega no ensino médio e ainda se passa por meu amigo, tivesse se tornado uma espécie de Big Brother, entidade supra-humana capaz de infiltrar-se em nossas intimidades e vergar nossas vontades a suas decisões, como um certo personagem da Bíblia.
Sempre achei que a ranzinzice de Fred, digo, do Sr. Toscano – um rematado reclamão, como ele mesmo agora reconhece, mas não sem reclamar antes –, fosse o disfarce de um complexo de auto-idolatria que o faz ver tudo à sua volta como sendo pérfido, espúrio e inferior. Não é improvável que ele tenha vendido a alma ao Diabo em troca de uns parcos poderes demoníacos.
Era possível, contudo, que eu estivesse apenas sonhando, o que me levou à óbvia conclusão de que nesse caso o Sr. Toscano estaria tentando implantar nas profundas de meu subconsciente a semente da ideia de que eu devia e precisava escrever um texto para o seu aclamado Blog da Reclamação.
Vou comprar uma carrapeta – aquilo não é um pião, seu burro [suspeito que essa tenha sido uma inserção do próprio Sr. Toscano] – pra fazer o teste, mas se eu verificar que tudo isso não passa de um sonho do qual ainda não acordei, quero avisar ao Sr. Toscano que com respeito ao famigerado texto agora é que eu não escrevo mesmo, nem que isso me custe cair no limbo do esquecimento, o inferno que assola os pesadelos de todo escrivinhador.
Por João Paulo Parisio, sem acento, escritor e editor da revista literária Pensamento. Quando não está sendo perseguido por mim em seus sonhos, também atualiza seu blog. Bem de vez em quando.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Um dia bom
Estava contrariado. Havia chegado ao Shopping, na Zona Sul, depois de mais uma vez ter sido quase atropelado por um motorista que não considera os ciclistas como membros integrantes da raça humana. Saíra de casa após outra das frequentes brigas que costumo ter com minha mãe. Havia ido ao banco, na tentativa de sacar uma quantia muito necessária naquele momento, apenas para passar mais de uma hora na fila e descobrir que, afinal, havia algo errado com o meu cartão e eu não poderia ter acesso ao meu dinheiro naquele dia. Meu MP3 Player jazia morto no bolso da minha calça surrada, me abandonando ao convívio entre sons e ruídos que invadiam meus ouvidos e tinha, então, todos os meus sentidos agredidos pela balbúrdia civilizada dos centros de compras, a tagarelice das pessoas ao meu redor se acumulando à minha volta, substituindo o oxigênio necessário à vida e me sufocando em um mar de palavras vazias e frases desconexas.
Olhava ao redor em uma fúria muda, um câncer que crescia a partir da boca do estômago e forçava minhas artérias, fazendo com que meu coração batesse louco, espalhando os tentáculos da ira por todo o meu corpo. Crispei as mãos, enfiando as unhas na carne das palmas, sentindo a dor aguda ser abafada pela revolta. Queria gritar. Queria avançar nas pessoas, ensandecido, cuspindo impropérios, agredindo, causando dor. Queria tirar a raiva de dentro de mim e entrega-la às pessoas que falavam e falavam sem parar dentro do Shopping.
- Psiu.
Virei-me, raivoso, disposto a descontar em quer que fosse os sentimentos que me tomavam o raciocínio naquele momento. Na minha frente, segura atrás de um cercado colorido, uma menininha se agarrava à grade que separava a creche das pessoas que passavam pelo corredor, apressadas.
- Psiu. Moço! Ei, moço!
Me aproximei, carrancudo, da garotinha trepada na cerca, ignorando as outras crianças e sendo por elas ignorada, concentradas que estavam em suas brincadeiras infantis.
- O que é? – Perguntei, grosseiro. Devia ter cerca de seis ou sete anos de díade. Tinha longos cabelos castanhos e enormes olhos amendoados. O narizinho era marcado por manchas de sardas. Ela me olhou compenetrada, quase adulta e respondeu:
- Moço. Se o senhor quiser, quando eu crescer, eu namoro com o senhor.
Ela sorriu um sorriso banguela e me soprou um beijo através da grade de metal. E então, como se já tivesse descartado do pensamento aquele homem rude e mal-educado à sua frente, virou-se e correu a brincar entre as outras crianças, perdendo-se em uma floresta de brinquedos coloridos e risadas agudas.
E subitamente, a raiva que crescia dentro de mim parou seu avanço. Retrocedeu e resumiu-se em nada, como se jamais houvesse existido e nunca pudesse retornar. Retornou, muitas e muitas vezes depois, mas naquele momento, aquela oferta inocente feita pela garotinha desconhecida pareceu anular todos os absurdos, todas as injustiças mesquinhas as quais me sentia submetido todos os dias e naquele mais do que todos os outros. Atordoado por aquele beijo efêmero, soprado à minha bochecha através do cercado da creche, me dirigi à saída, não mais preocupado com os motoristas homicidas ou com os caixas eletrônicos reticentes. A vida, afinal, devia ter lá o seu sentido. Não sabia bem qual, mas devia ter. Em um instante, fugidio, cheguei muito perto de descobrir.
Sorri. Um sorriso besta, atarantado, ilógico. Sorri para mim mesmo, sorri para quem precisava e sorri até para quem não merecia. Sorri apenas. Aquilo me bastava e bastava ao mundo.
Uma semana depois, voltei ao Shopping e procurei a creche, buscando ouvir a zoada das crianças e suas risadas infantis. Mas não havia mais nada. O cercado colorido havia desaparecido e se retirado do espaço que anteriormente ocupava, levando consigo a alegria das crianças e um pedaço do meu sorriso.
Esse pedaço eu nunca mais recuperei.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Especial Dia do Sexo: O limite de um homem
Essa história, acredite se puder, é verdadeira. Ou quase.
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O casal cheio de tesão consegue chegar até o quarto com as roupas mais ou menos intactas. O homem sussurra algo no ouvido da companheira, que sorri e se ajoelha. O rapaz fecha os olhos em expectativa enquanto a garota se aproxima, abre a boca e nela coloca uma pastilha. Havia lido, em algum lugar, que aquele procedimento causaria um frêmito de prazer inédito no parceiro e logo procedeu a uma sessão de sexo oral. Enquanto labutava, lançava olhares de esguelha ao rosto do homem, bem acima de sua cabeça, tentando adivinhar-lhe a disposição.
Ele mantinha os olhos cerrados, mordia os lábios e gemia suave e constantemente. Seu rosto começou a se contrair mais e mais, em uma careta mais ou menos cômica à qual ela já estava acostumada. A garota aumentou o ritmo, igualando-o ao dos murmúrios do seu par, que já começava a apresentar um tom avermelhado no rosto, transpirando abundantemente. Finalmente, ele estremeceu de maneira quase convulsiva e gritou, afastando a cabeça da garota:
- TÁ QUEIMANDO!
- Oi?
- AHHHHHHHH, TÁ QUEIMANDO!! QUE PORRA É ESSA?! – Berrou o rapaz transtornado, dobrando-se sobre o órgão afogueado.
- Opa...será que...será que foi o Halls preto? – Perguntou sua companheira, inocentemente.
- HALLS? TU CHUPOU UM HALLS ANTES? E PRETO?! QUE PORRA DE IDÉIA FOI ESSA? – O homem agora corria enlouquecidamente pelo quarto, a face adquirindo um estranho tom violáceo. Cego pelas lágrimas de agonia, esbarrava em todos os móveis do ambiente.
- Meu amor, calma! Pera que eu vou ajudar! – Dizendo isso, a mulher saltou agilmente por cima da cama e correu até o banheiro, retornando de lá com as mãos em concha e cheias d’água da torneira. Quando o namorado, ensandecido de dor, passou pela sua frente, ela atirou o líquido sobre o membro inflamado.
- AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH! PIOROU! PIOROU! – Urrou o rapaz, ao ter a região genital encharcada em umidade gélida.
- Olha amor, tá caindo a pele toda! Eca!
Aquela visão foi demais para o rapaz. Sentiu as pernas fraquejarem e tombou no chão frio do quarto, inconsciente. Despertou na manhã seguinte, sobre sua cama e vestindo seu roupão. Súbito, a memória da noite anterior lhe veio à mente e ele tateou cuidadosamente entre as pernas. A sensação de ardor havia desaparecido, mas a área continuava sensível. Nem sinal da namorada. Tentava decidir o que fazer, quando a empregada, que possuía a chave do apartamento, entrou em seu quarto.
- O senhor tá bem?
- Hmm? Oi, tô, Zefinha...tô melhor.
- Graças a Deus. Sua namorada foi embora logo cedo, toda apressada. Mas ela me explicou o que aconteceu, viu?
- Ela...ela explicou, foi?
- Ela falou da cobra que apareceu.
- Oi, cobra?
- Por isso que tava essa bagunça o quarto. O senhor revirou tudo tentando matar a bicha!
- Ah...foi. Foi. Isso mesmo, Zefinha. Uma cobra. Daquelas bem...daquelas bem grandes, sabe?
- Ah, o senhor não me engana não! Eu achei o couro dela no chão do quarto! Era uma cobrinha pequenininha, desde tamanhinho. Parecia mais uma minhoca, fazia até pena, rapaz.
- ...
- O senhor tá bem?
Naquele mesmo dia, acabou o namoro e demitiu a empregada.
Afinal de contas, todo homem tem seu limite.
Afinal de contas, todo homem tem seu limite.
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Uma homenagem do Blog da Reclamação ao Dia do Sexo que, como quase tudo hoje em dia, tem até seu próprio site, patrocinado, compreensivelmente, pela marca de camisinhas Olla.
E você, gostou do texto? Pois então vá comemorar esse dia tão especial, saia da frente do computador e vá transar.
domingo, 5 de setembro de 2010
Domingo é dia de enquete!
Encerrando mais uma votação para escolher o melhor escritor convidado! Os resultados seguem abaixo:
1- O almoço e a não moça, por @Lucas_Emanuel. (20%)
2- O self-service que quase acabou em Buffet, por Mariana D'Emery (0%)
3- Cearês, por Saulo Toscano (70%)
4- Dízimo com quem andas e te direi se pago, por @Gustavo_C (10%)
Uma vitória esmagadora de Saulo Toscano, portanto. Sei não, algo me diz que ele teve uma pequena ajuda de, tipo, o estado do Ceará inteiro! Já ando pensando até em abrir um filial do Blog da Reclamação lá em Fortaleza, mas como dizem que não há muito o que reclamar da cidade, a sucursal ia acabar falindo.
Então é isso, já já sai a nova enquete e amanhã tem texto novo, não deixem de acompanhar!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Sexta-feira dos convidados: Texto roubado é mais gostoso!
Cabe aqui uma explicação para o texto de convidado dessa sexta-feira. É que ele vem do blog Vai faltar ventilador, da amiga e publicitária Karina Nobre. Se algum de vocês resolver visitar o link, vai logo perceber que não há atualizações desse Novembro do ano passado, uma vez que a autora encontra-se atolada até os cachos loiros em trabalho. Pelo mesmo motivo, meus pedidos de um texto original foram ignorados, o que me motivaram à uma ação drástica: roubar uma história de Karina e publicar à revelia, mas tendo sua irmã, Déa, como cúmplice. É, aquela da história do cachorro cagão. Sim, é cosia de família mesmo. Assim sendo, deixo vocês com não um, mas dois pequenos textos da Lôra, como é conhecida entre os amigos, onde ela demonstra com bom-humor a experiência de ir morar fora do seu estado de origem.
PS – Os textos vão em seu formato original, exatamente como foram publicados pela autora em seu blog.
no mundo inteiro, deve haver pouquíssimos lugares com fauna tão rica quanto são paulo. basta andar na rua e você nota que por aqui trafegam livremente seres das mais variadas espécies, ou como diria minha amiga dayana, pessoas humanas de todos os tipos. é fantástico. desde que amarrei meu jegue aqui em sampa, posso dizer que já vi de um tudo. já vi cearense descendente de alemão, filho humilde de carioca com argentino, judeu desapegado de bens materiais, casal careta de pernambucana com jamaicano, maranhense que nasceu na Itália (hein?), trabalha no amazonas e vive em dubai, bahiano workaholic, japonês com sotaque de gaúcho, e até acreano dizendo que existe. digaí que muderno.
essa cidade tem de tudo. ou melhor, quase tudo. porque tem um espécime raro, bem dizer extinto dos núcleos sociais vulgares, que ao vivo, assim de pertinho mesmo, eu nunca vi não. você por acaso conhece algum paulistano puro? sim... paulistano puro, ariano, daquele que nasceu, cresceu, estudou e passou férias em são Paulo. tem não truta. e se tem, alguém por favor me diga onde essas pessoas foram parar. fico achando que todos eles estão presos num engarrafamento qualquer na marginal tietê, buzinando loucamente. nos fins de semana, eles devem ficar todos entulhados nas arquibancadas do pacaembu, ou correndo em círculos no ibirapuera. ou nas filas de restaurantes caros. aliás, em qualquer fila. dizem que paulistano adora uma fila... eu, como boa pernambucana que sou, morro de medo de fila. e, cá entre nós, também temo pelo dia em que cruzarei o caminho de um paulistano puro. sei não... não se pode esperar atitudes equilibradas de alguém que nunca apanhou brincando de cuzcuz, nunca catou tatuí na areia da praia, nunca chamou a mãe do melhor amigo de puta velha e nunca saiu pra brincar e voltou com o pedaço de pixe colado na orelha. sabe o que eles fazem no verão? põem uma bermuda, um tênis e saem por aí com a meia esticada na canela.
essa cidade tem de tudo. ou melhor, quase tudo. porque tem um espécime raro, bem dizer extinto dos núcleos sociais vulgares, que ao vivo, assim de pertinho mesmo, eu nunca vi não. você por acaso conhece algum paulistano puro? sim... paulistano puro, ariano, daquele que nasceu, cresceu, estudou e passou férias em são Paulo. tem não truta. e se tem, alguém por favor me diga onde essas pessoas foram parar. fico achando que todos eles estão presos num engarrafamento qualquer na marginal tietê, buzinando loucamente. nos fins de semana, eles devem ficar todos entulhados nas arquibancadas do pacaembu, ou correndo em círculos no ibirapuera. ou nas filas de restaurantes caros. aliás, em qualquer fila. dizem que paulistano adora uma fila... eu, como boa pernambucana que sou, morro de medo de fila. e, cá entre nós, também temo pelo dia em que cruzarei o caminho de um paulistano puro. sei não... não se pode esperar atitudes equilibradas de alguém que nunca apanhou brincando de cuzcuz, nunca catou tatuí na areia da praia, nunca chamou a mãe do melhor amigo de puta velha e nunca saiu pra brincar e voltou com o pedaço de pixe colado na orelha. sabe o que eles fazem no verão? põem uma bermuda, um tênis e saem por aí com a meia esticada na canela.
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os apelidos que os paulistanos dão aos seus queridíssimos amigos e colegas de trabalho, definitivamente, não funcionam como ferramenta facilitadora da comunicação. a fá, a rê, a la, o ma, o ri, a ju, o gu... são sempre monossílabos, sempre uma redução simples do seu primeiro nome. prático né? não. o problema é que, infelizmente, só existem 26 letras no alfabeto e, dentre elas, algumas tem fonética igual ou muito parecida. você tem que ter ouvido de tuberculoso pra saber se estão chamando a na ou a ma. e quando acontece a situação altamente improvável, a terrível coincidência, de haver duas pessoas com o início no nome igual? aí complica.
imagina só você, que se chama marieta, e trabalha com uma moça chamada maria. é ma pra cá, ma pra lá, e você para o tempo todo pra ver quem está te chamando e, lógico, nunca é com você. sua vida vira um verdadeiro inferno, sua produtividade cai, seu chefe pergunta se você está com problemas em casa. tudo porque aqui, na capital mundial da criatividade para apelidos, não interessa se você se chama carolina, camila, kátia, cassandra ou caceta, você sempre (eu disse sempre) será reduzida a uma sílaba. ca. ou ka, dá no mesmo. pois bem.. acontece que, por uma desgraça do destino, a recepcionista aqui da agência foi embora. a fê. e adivinha só quem entrou no lugar dela? a ca. eu adoro a ca, ela é muito melhor que a fê, só que a desgraçada fudeu com minha vida. eu era feliz e não sabia.
imagina só você, que se chama marieta, e trabalha com uma moça chamada maria. é ma pra cá, ma pra lá, e você para o tempo todo pra ver quem está te chamando e, lógico, nunca é com você. sua vida vira um verdadeiro inferno, sua produtividade cai, seu chefe pergunta se você está com problemas em casa. tudo porque aqui, na capital mundial da criatividade para apelidos, não interessa se você se chama carolina, camila, kátia, cassandra ou caceta, você sempre (eu disse sempre) será reduzida a uma sílaba. ca. ou ka, dá no mesmo. pois bem.. acontece que, por uma desgraça do destino, a recepcionista aqui da agência foi embora. a fê. e adivinha só quem entrou no lugar dela? a ca. eu adoro a ca, ela é muito melhor que a fê, só que a desgraçada fudeu com minha vida. eu era feliz e não sabia.
Por Ana Danos Morais
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