Vi em um desses documentários da vida que a música punk surgiu, basicamente, do cansaço dos jovens ingleses pelo rock produzido no início da década de 1970. Segundo o filme, era uma resposta ácida e crítica ao rock progressivo, com seus intermináveis solos de teclado e letras sem pé nem cabeça compostas por hippies doidões de ácido. Resumindo: rock era coisa de universitário bundão. Entendeu? Ótimo.
Essa lembrança me voltou à memória no último sábado, enquanto eu acompanhava o festival Planeta Terra, em São Paulo. Lá estava eu em uma área chamada Claro Indie Stage. No palco, um cara de codinome Toro Y Moi (que na ocasião eu achava se tratar do nome da banda).
O lugar estava completamente lotado e aí... começa o show...
Toro Y Moi não é rock progressivo, é uma coisa mais pra eletrônico, mas a chatice que despertou os punks nos anos 70 estava toda lá. Os solos de sintetizador, as letras monossilábicas, não era música, eram barulhinhos de computadores. Parecia o som daqueles discos voadores de “Contatos imediatos do 3º graus”. Havia uma guitarra no palco, mas se ouvia uma harmônica aqui e outra lá.
Olhei para o lado. Um monte de jovens com topetes e moicanos encharcados de gel, vestido como estudantes de Hogwarts (gravatinhas e tal) com óculos de graus gigantescos achando aquilo fantástico.
É fato, minhas crianças, a gente precisa de um novo punk... ou de, pelo menos, algo que se aproxime.
Lembro dos primeiros anos da década de 1990, quando Planet Hemp, Chico Science e Raimundos deram um chute na bunda do lixo que a gente tinha aqui desde os anos 80 (os saudosistas do RPM e da Blitz que se fodam). Ou quando Kurt Cobain e toda a galera de Seattle colocaram o rock purpurinado do Poison e do Guns n Roses para correr.
Precisamos de alguém para sacudir a música pop. Fazê-la voltar a ser algo divertido, sem ser idiota. A gente não precisa mais de bandas alternativas formadas por nerds (só do Weezer, claro). A gente precisa de uma molecada que escute Ramones, beba cerveja barata, fale palavrão e pegue mulher. Chega de meninos que beijam meninos.
E não vou nem falar de NxZero, Fresno e etc.
Parece que o politicamente correto veio pra ficar. O máximo que eu vi de anarquia na música, nos últimos tempos, foi o arranca rabo de Zezé di Camargo e Luciano.
E o mesmo vale para cena daqui de Recife. O negócio tá tão brabo que um dia desses, eu tive saudades de Sheik Tosado. Puta que pariu.
Então é isso, me acordem quando o rock voltar a ser feito na periferia e não por estudantes de direito de faculdade particulares. Obrigado.
Texto escrito e gentilmente cedido pelo amigo, escritor e jornalista Geraldo de Fraga.













