quarta-feira, 9 de março de 2011

Especial carnaval: minha fantasia


Não é fácil achar a fantasia certa para o carnaval. Deve ser por isso que tanta gente perde a paciência e acaba comprando um colar florido e indo de havaiano. Ou se rendendo à total falta de criatividade e colocando a camisa do seu time favorito e comparecendo à festa como jogador de futebol. Outros tantos desistem de qualquer tentativa de originalidade e recorrem à manjadíssima roupa de pirata. A frustração é tanta que muita gente simplesmente prefere não embarcar na folia, migrando para alguma praia/montanha/acampamento/seita homoerótica bem longe das festividades e, principalmente, de qualquer necessidade de se fantasiar. Tudo bem que tem gente que até tem algumas boas ideias para seus trajes carnavalescos, mas acabam esbarrando na total falta de capital necessário para mandar costurar alguma coisa decente. Nesses casos, o resto é apelar para o que estiver sobrando no guarda-roupa e que, com um pouco de criatividade e cara-de-pau, possa ser adaptado em uma fantasia minimamente aceitável. Foi o que eu fiz.






Nada mal, você pode pensar. Essa é uma roupa de chef de cozinha de verdade, do tipo que se usa no dia-a-dia da profissão. Eu não tive tempo, grana ou saco de mandar fazer uma fantasia propriamente dita, então achei que seria uma boa ideia. O problema é que essa merda é tão real, mas tão real, que tive que passar o carnaval ouvindo os maiores absurdos. Algumas vezes, era algum desocupado bem-intencionado que se compadecia da minha situação.


- Pô, velho...que merda, heim?

- Oi? Por quê?

- Todo mundo brincando o carnaval, dançando, se pegando e tu aí, trabalhando.

- ...

- E ainda mais na cozinha.

- ...

- Foda, né? Mas então...me vê aí uma macaxeira com charque, beleza? Sem cebola, que já já eu vou me chegar na Mulher-Maravilha.


Outras vezes, era o sexo oposto que não conseguia distinguir a farda da fantasia.


- Ai, tchê! Esse carnaval do Recife tá tri-bom!

- Amiga, olha aquele chef de cozinha ali, que graça!

- Tá maluca?!

- Mas...ele é tão bonitinho...

- E daí? Vai pegar o cozinheiro? O cara que vende pastel? O pasteleiro? Quer pegar até o pasteleiro agora? Quer?!

- Hmm. Eu acho que aquilo lá é a fantasia dele...

- Tá bem feita demais pra ser fantasia. É o pasteleiro. Tu bebeu, ficou carente e agora quer dar pro pasteleiro. Sei como é, já passei por isso. Daqui a pouco, vai querer dar pro PM e pro gari também. Como sua amiga, não posso permitir que você faça isso.

- Peraí, eu não quero dar pra ning...

- Não interessa. Você não saiu lá do Sul pra dar pro pasteleiro local. E ainda por cima epilético.

- Ele não é epilético, só tá dançando frevo e...

- É epilético sim. Sei reconhecer os ataques, já peguei um pobre-coitado desses. Sabe como é. Por pura pena.

- Sei.

- Imagina, ele tem um treco enquanto frita pastel? Desastre. Já aconteceu comigo, vai por mim.


Pois é. Pense duas vezes antes de escolher sua fantasia de carnaval. Quanto mais exagerada, melhor. Afinal, essa é justamente a época do ano em que fazemos de tudo para escapar da realidade. Na dúvida, deixe o traje em casa e vá à paisana mesmo.

Seu carnaval não vai ter a menor graça, mas ao menos você não passa vergonha.



6 comentários:

  1. hehehehe.
    Ficou uma graça sua fantasia.
    Vi cada fantasia de Olinda pela TV. Muito legal o Carnaval de vocês. Meus amigos que foram chegaram aqui só contando as comédias.
    :D

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  2. Ficou lindo com essa fantasia mooço.. mas só você mesmo para passar por esses comentários kkk

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  3. esperto fui eu que botei um charuto na boca - alto lá! - e até fui parado na rua por pessoas que queriam tirar foto com Che Guevara - as mulheres queriam beijá-lo -.

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  4. Estou procurando motivo pra reclamar do blog, mas tá difícil!

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  5. Simone São Marcos11 de março de 2011 11:44

    Eu saí de Hera Venenosa!!! Dica de quem???? hahaha

    Agora, casa de ferreiro, espeto de pau, né? =*

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  6. Ah, eu gosto de fantasias reais. Inclusive, já pensei em ir de dentista, mas os pacientes iam me reconhecer, então não rolou. A de cozinheiro ficou massa.

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Vai, danado, reclama!