segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A ciclovia


Meu amigo Gustavo Careca me disse que blog tem que ter texto curto, pra não chatear o leitor.
Como eu não to nem aí e quero mais é reclamar, vai aí um texto longo mesmo. Os próximos, se eu tiver saco, faço menores.
Ahan.
Não sou nenhum atleta, mas ultimamente resolvi lutar contra o bucho de cerveja (não bebo, mas surgiu mesmo assim) usando métodos mais eficientes e científicos do que mandar energias negativas pra pança (pra ver se ela morre) ou pedir ao universo que a gordura acumulada atinja o nirvana e desapareça do plano físico. Assim, comecei a andar de bicicleta.
Recife não fica na Europa, velho. Não dá pra andar de bicicleta em todo lugar. Então, caso você não queria ser roubado, atropelado ou estuprado enquanto passeia de bicicleta (ou tudo isso junto), melhor se ater a alguma ciclovia. Como moro na Zona sul, lógico, vou pra ciclovia da Avenida Boa viagem, na beira-mar.
Lugar perfeito pra andar de bicicleta, né? A brisa marítima, mulheres desfilando de biquíni e uma ciclovia perfeita debaixo de suas rodas. Né? Né??
Vai nessa.
Andar na ciclovia é uma aventura, no sentindo ruim da palavra. Comecemos pela pista em si, que deveria estar livre de obstáculos e sujeiras, de forma que o ciclista não esbarre em objetos estranhos, acarretando uma derrapagem\capotagem e posterior traumatismo craniano\paralisia total\lesão no escroto\morte. O que acontece, na verdade, é que pode-se encontrar qualquer coisa (mesmo!) na ciclovia. Não vou falar do lixo em geral, como sacolas práticas e guardanapos, geralmente vindos das barraquinhas. Isso aí é beleza. Foda mesmo é ter que desviar de cocos inteiros jogados na pista ou até mesmo pedras, pó! Como essas merdas vão parar lá? Aí que fica interessante. 
Os flanelinhas da beira-mar (odeio flanelinhas e logo vou dedicar um post só pra eles) agora “tomam conta” das motocicletas que ficam paradas no estacionamentos construídos pela prefeitura na praia. Como motos não têm pára-brisas, os desgraçados exercitam sua criatividade e colocam pedaços de papelão nos bancos das motocicletas. Sabe, pra proteger do sol. Porque eles são legais, não um bando de parasitas que praticam extorsão no seu rabo toda vez que você pára seu veículo numa via pública. Enfim.  Aí os caras vão lá e colocam os papelões (sim, como você adivinhou, o papelão ocasionalmente também vai parar na ciclovia) e usam cocos e pedras pra que o vento não leve o papelão embora. Afinal, ele está prestando um serviço, diabos! Tá. Aí, chega o dono da moto, muito puto de encontrar seu veículo parecendo mais uma árvore de natal de pobre e larga a tralha onde? Na ciclovia. Lógico.
Além disso tudo, já vi palha de coqueiro, isopor, cocô de cachorro, casco de cerveja, latas, um limão e uma escova de cabelo, cacete!
Depois passamos às pessoas que simplesmente não sabem como se usa uma ciclovia. É gente caminhando na ciclovia, é nêgo pedalando no calçadão. Porra, no calçadão se caminha, na ciclovia se anda de bicicleta! É difícil? É. E muito, pela quantidade de retardados fazendo essas besteiras. O que mais acontece é eu estar na minha, pedalando, quando passo por uma veia distraída que faz uma cara de espanto ridícula quando percebe que, meu Deus!, tem um ciclista na ciclovia. Na ciclovia! Degenerados. De maneira geral, cerca de 97% (não me peçam minhas fontes) das pessoas que saem da Avenida e se encaminham para a praia (e vice-versa) NÃO lembra de olhar para os lados ao atravessar a ciclovia. O resultado são caras de espanto, veia tendo ataque do coração, xingamentos, acidentes, morte. Claro que alguns dos transeuntes simplesmente decidem estacionar o rabo na ciclovia enquanto conversam e acham ruim quando o pobre do ciclista passa gritando “Vai pra calçada, caralho!”.
A ciclovia também é, caso você não saiba, via de preferência de corredores, carrinhos de picolé ou qualquer outra coisa e, em nome de Deus, mobiletes. Sério, já vi gente andando de mobilete na ciclovia. O que se pode desejar a uma pessoa dessas, além de uma morte horrenda precedida de gaia?
Então, resumindo, andar de bicicleta na ciclovia da Avenida Boa Viagem é uma delícia. Basta desviar de todos os objetos criados pelo homem e pela natureza, evitar os retardados que não fazem a mínima idéia do que é uma ciclovia ou como usá-la, fugir dos malucos de mobilete, contornar as senhoras cardíacas com cara de espanto, pular o lixo e pronto!
E aí? Bora andar de bike?

7 comentários:

  1. Caralho, Fred. Fiquei com medo. Nunca mais frequentarei a praia de Boa Viagem. Quer um conselho: comece a beber. Assim, pelo menos a pança terá valido a pena. De qualquer forma, adorei o texto. Grande abraço

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  2. Uuuuh.. não sou a primeira que deixou um comentário, mas uma coisa tão importante precisa do tempo.
    Agora me sinto um pouco culpável/preocupada, essa minha parcela quanto a esse bike, sabe? :) E.. to pensando.. suponho que eu também já reclamei dalgumas coisas dessas, não te avisei o suficiente quanto aos perigos andando de bicicleta? Mas tudo bem, cada um tem que fazer suas mesmas experências.(Ainda esses seus traumas só afetuaram a sua alma, né?)
    Vi a maioria das coisas que tu falou. O fato de que tu te enfadas com isso mostra que pessoa progressista és, hehe. Vindo daquela Europa tenho que dizer que depende da cidade mesma qual é o nivel da gentiliza ciclistISISTA (...da licença pra eu criar neologismos.. ou simplesmente escrever errado..).
    Onde eu moro o código moral dos ciclistas é bem grande mesmo. Mas não em todos lugares é assim. Quanto à coisa mais chata e idiota (os retardados que não entendem a diferença entre calçadão e ciclovia)teria esses conselhos:

    1. Ter freios ótimos / manobrar com fineza (rápida)

    - não pra poder freiar da maneira humilde pra esses individuos desgraçados que acabo de falar.
    Mas pra poder andar tão rápido, passando/desviando o mais perto deles pra que as pessoas na ciclovia só vão sentir um vento da sua passada rápida demais pra te ver. E que fiquem parados e com espanto mesmo que vale a pena! (efeito pedagógico)

    (E também pode ser bem útil ter freios bons nesses encontros impopulares com cOcOs (a palávra com qualquer acento..), mobiletes, carrinhos, escovas.)

    2. Comprar a buzina mais alta e horrível e usar mais do que seja necesário!
    Daquele tipo que têm nos jogos de futebol..
    Também deve ter um efeito pedagógico mas até vai ter mais graça pra tu, hehehe!

    Me diverti muito lendo e aprendi novas palavras utéis (bucho, extorção...):D
    To ansiosa de ler o blog anti-flanelinhista porque lembro muito bem o quanto tu goste deles... Também com material fotográfico, por favor!

    P.S.: Ninguém disse - mas acho que os comentários também não devam ser longos.. mas que nada.. ;)

    :-* ²²

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  3. Fred,

    eu me acabei de rir com seu relato!
    Imaginei a gente conversando e seu tom de voz cada vez mais alterado, por conta das véias ooooou, por causa dos flanelinhas!
    Eu sei que eu vou é pra academia, pq ciclovia é para os fortes, e eu, sou fraquinha, fraquinha!

    Abraço.

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  4. Fredocaaaaaa... morri de rir!! Mas tenho que reclamar.. o texto tá longo demais!
    Ah.. o site a aberto pra sugestões de reclamações?!

    xêro!

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  5. Acho que tu vai reclamar mais um pouco quando vir como fica a ciclovia quando chove. hehehehehhehe
    Não tem por onde a água escoar, já percebeu? A água fica lá atééééééé evaporar todinha. Engenheiros espertos, né?

    Beijo!

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  6. hahahahahahahaha... e sem contar que a ciclovia de recife é a maior ciclovia em zigue-zague de todo o sistema solar. super funcional.

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  7. caraca brother falou disse com propiedade, aconteceu hj comigo 2 sequelados andando na ciclovia e eu gritei eles não sairam e acabou que eu é quem caí da bike-ainda bem que estava equipado-os caras ainda ficaram putos dizendo que eu estava errado!!Nós ,ciclistas, temos que nos mobilizar e fazer um protesto com as bikes fechando a avenida boa viagem para a prefeitura coclocar agentes para fiscalizar, pois os poucos que vemos só ficam na barracas de coco conversando.

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Vai, danado, reclama!